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DO SILÊNCIO QUE SE FAZ GRITO

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Foto: Elenize Dezgeniski

 

Fazer ouvir e também, de todo essencial, tornar-se escuta. Romper a lógica dos diálogos surdos, monólogos sem pausa, causa ou consequência. Ser ouvido não olvidável. Atento a frequências outras. Às zonas ruidosas entre o grave e o agudo, entre mim e o outro. Àquilo que destoa, desloca e faz de eu-você-nós, nós. Atados. Não pelas semelhanças, tão somente; pelas diferenças – essa é a busca.

 

Esse, pois, parece mesmo ser o movimento de busca do Ruído EnCena 2017, ato artístico em múltiplas linguagens que teve sua abertura na noite da última quarta-feira, 20. Nas trilhas transitórias de espetáculos de teatro, dança, performance e música, de encontros críticos sobre arte e vida e de residências artísticas, o festival faz do barulho, físico e/ou metafórico, individual e/ou coletivo, sua estratégia ou razão de ser. É sobre potência, a ser (i)mensurada na escala dos decibéis e dos ímpetos. No auscultar das emoções, enfim.

 

No palco e nos domínios de um Teatro José Maria Santos lotado, Juana Profunda e Dalvinha Brandão, ícones da cultura drag, ou melhor, da cultura em seu sentido mais amplo na cidade, evocaram os rit(m)os iniciais desse tempo-espaço de ruído, com o show O Maravilhoso Cabaré das Divinas Divas. As cortinas se abriram para o festival ao som do manifesto Brasil, performado pelo elenco da noite: de Curitiba, xs artistas Etruska Waters, Ayla Miejski, Rita Lina, Linda Power e Ruby Hoo; de Salvador, Paula Lice e xs hipnóticxs Ginna D’Mascar e Valerie O’rarah, evocando uma vagina que dá – e muito – caldo. Pau, pedra, baba.

 

Escrevo (co)movida pelas possibilidades de intercâmbio. Por perceber que, nesta cidade cinza, há quem tente salvar a dor, a cor, a-mor. Quem seja lugar de escuta e de fala, o silêncio do ouvinte e o grito da resistência. Quem, em dois ou mais, seja atenção e transborde intenção. Quem dê trânsito aos sons e novos sentidos, particípio do sentir, às palavras. Quem transforme tensão em ruído. E, nas zonas dos ruídos todos, som em fúria. Barulho em arte.

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