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September 22, 2017

Os passos na rua aceleram-se assim como o coração. Olhos esbugalhados berro retraído. Morro todos os dias em que um homem cruza o caminho com os olhos sedentos e a saliva escorrendo, como um lobo atrás de carne. Morro todos os dias quando ouço coisas desnecessárias. O corpo habitado é uma casa em constante zona de perigo.

A

MORTE

É

O PESADELO EM VIDA.

A Maria, Josefina, Giovana, Sara Kali, Marcela, Ana, Daniela, Juliana, Oxum, a Tara que elimina os medos, Leonor, Vanessa, Célia, Rosana, Larissa, Manuela. A elas, a todas, juntas sempre estaremos.

September 22, 2017

Foto: Elenize Dezgeniski

Fazer ouvir e também, de todo essencial, tornar-se escuta. Romper a lógica dos diálogos surdos, monólogos sem pausa, causa ou consequência. Ser ouvido não olvidável. Atento a frequências outras. Às zonas ruidosas entre o grave e o agudo, entre mim e o outro. Àquilo que destoa, desloca e faz de eu-você-nós, nós. Atados. Não pelas semelhanças, tão somente; pelas diferenças – essa é a busca.

Esse, pois, parece mesmo ser o movimento de busca do Ruído EnCena 2017, ato artístico em múltiplas linguagens que teve sua abertura na noite da última quarta-feira, 20. Nas trilhas transitórias de espetáculos de teatro, dança, performance e música, de encontros críticos sobre arte e vida e de residências artísticas, o festival faz do barulho, físico e/ou metafórico, individual e/ou coletivo, sua estratégia ou razão de ser. É sobre potência, a ser (i)mensurada na escala dos decibéis e dos ímpetos. No auscultar das emoções, enfim.

No palco e nos domínios de um Teatro José Maria Sa...

September 22, 2017

Às amordaçadas, espancadas, esfaqueadas, queimadas, violadas e as caladas. Às feridas, aos hematomas, aos corpos. Às madrugadas que com um grito o sono é rompido. Às enterradas e às velas acesas. Aos nomes. Às amadas.
À luta.

September 22, 2017

Luz viole(n)ta espia por debaixo da cortina
Lê-se uma carta que agita águas. 
Flores na cabeça pés no salto
Boca que desenha Maria Bethânia
Resistência. Brilho. Riso. 
Roupa-corpo arrancada violada invadida
Cada estouro uma maria
Uma ana
angélica
beatriz
joana
laura
Mas
Existe uma fresta.
E por detrás dessa fresta
Há uma festa.
Atravessamos.

September 22, 2017


Vamos!
Juntas! 
Alguma coisa acontece no meu coração e não é caetano.
Para atirar - GATILHO
-    DEDOS
-    MIRA
-    VONTADE
A minha vontade é agradar o meu amor.
O meu amor agora!
Urgente!
Sim! 
É urgente falar sobre isso. 
É urgente atirar
ATIRAR ATIRAR 
ATIRAR
ATIRAR 
não serei interditada
não serei embargada
não estarei fora
não terei boa conduta
Não baixarei o tom
não vou fazer de conta que isso é comum
Andarei livremente pelas galerias, ruas, avenidas
Andaremos eu e o meu amor
Juntas!
Eu e meu amor, juntas.
Atirando 
Atirando 
Atirando
Atirando

September 22, 2017

É silêncio ou é ruído? É loucura ou criatividade? É afeto ou é alívio? É homem ou é mulher?
    É trânsito. Transito entre extremos, padrões, normas definições. Mas não me detenho. Engulo um por um, matéria digesta que corta e me sangra, corpo parido das minhas entranhas.
    Qual a loucura que te move? Falar o que se pensa? Ser o que se é? Ser o que quero ser. Em tempos de ódio, quem com afeto vive, julgado será.
    Brasil, mostra a tua cara....confia em mim! Confia em mim! Confia?
    Bueno, entonces, el ruído no tiene que parar.

September 22, 2017

September 22, 2017

aqui:

a mudança usa

vestido e peruca

aqui:

você acha que

vai ter maquiagem

a revolução?

aqui:

qual imagem de mulher?

qual mulher de imagem?

mulher?

aqui:

não tem salto baixo?

aqui:

se dubla um

manifesto ou

tem outro nome

aqui:

rimos em diferentes

momentos porque

o seu riso não é

o meu

aqui:

que caldo

que vagina

aqui:

curitiba salva

por salvador

aqui:

fala para eles que estamos

vivas e temos tomates

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